O primeiro dia de inscrições para os exames de acesso a Universidade Agostinho Neto (UAN) esteve marcado por uma grande afluência de candidatos no Campus Universitário do Camama, Kilamba Kiaxi, em Luanda, o que provocou alguma confusão.

Nas inscrições, que decorrem a bom ritmo e que vão até ao dia 25 do corrente mês, os candidatos devem apresentar certificado original de habilitações literárias (curso médio ou pré-universitário) com as notas discriminadas, Bilhete de Identidade, declaração de serviço, isto para os candidatos trabalhadores.

Constam ainda dos documentos solicitados, atestado da situação militar regularizada para os candidatos em idade militar, três fotografias tipo passe e uma quantia monetária de dois mil kwanzas por opção.

A UAN anuncia que os exames de acesso consistirão em três provas únicas: em ciências sociais aprazadas para os dias 7 e 8 de Fevereiro, as provas de ciências exactas nos dias 9 e 10 deste mesmo mês. Já os exames de biologia e ciências de saúde vão decorrer nos dias 14 e 15.

A bibliografia utilizada para as provas será a do “Puniv” e Institutos Médios, aprovada pelo Ministério da Educação para o Ensino Secundário.

Em declarações à Angop, a vicereitora para os assuntos académicos da Universidade Agostinho Neto (UAN), Maria Augusta, apelou aos candidatos para os exames de acesso à instituição a terem calma durante as inscrições, por formas a facilitarem o trabalho dos funcionários da universidade. Maria Augusta referiu que as inscrições vão até ao dia 25 do corrente mês, tempo que considera suficiente para todas as pessoas interessadas se inscreverem.

“Este afluxo de gente só vem dificultar o nosso trabalho. Todos querem se inscrever ao mesmo tempo.

Ainda temos muito tempo para inscrever todos candidatos”, referiu a vice-reitora.

De acordo com a responsável, a universidade conta com quatro mil e quinhentas vagas para as diferentes unidades orgânicas que compõe a Universidade Agostinho Neto.

A direcção da UAN adverte que cada candidato deve inscrever-se em apenas duas opções, com vista a se evitar constrangimentos neste processo. Para os candidatos, o afluxo de pessoas em ocasiões como esta é normal porque actualmente todo jovem que termina o ensino médio pretende entrar numa faculdade para adquirir mais conhecimentos.

Dário de Almeida, candidato a Faculdade de Ciência, disse que como jovem pretende contribuir para o desenvolvimento do país, daí o motivo de se inscrever para os exames de acesso.

“Já há dois anos que tento ingressar numa faculdade estatal e tenho esperança que este ano eu vou conseguir o meu lugar na Faculdade de Ciência”, referiu.

Para Lígia dos Anjos, faltou mais organização por parte da Universidade, visto que se regista muita confusão para as inscrições aos exames de acesso.


A ministra do Ensino Superior e da Ciência e Tecnologia, Maria Cândida Teixeira, defendeu esta semana, em Benguela, que a melhoria da qualidade do sistema educativo e de ensino passa necessariamente pela realização de encontros metodológicos, departamentais e inter-institucionais de tecnologia e inovação.

A governante falava no encerramento do primeiro Conselho Consultivo do Ensino Superior e da Ciência e Tecnologia, que abordou, em dois dias, os desafios actuais e futuros do sector, com o objectivo de promover a qualidade dos serviços prestados pelas instituições de ensino superior e de investigação científica.

Apontou a melhoria dos mecanismos de gestão e de liderança, realização de encontros metodológicos de tecnologia e inovação, a implementação da mobilidade docente e discentes com base nos acordos inter-institucionais, a criação de um comité de biotécnica e o incentivo para dinamização e revitalização da carreira docente, por meio do mecanismo de reconhecimento e mérito.

De acordo com a ministra, o estímulo do interesse nos candidatos à universidade nas áreas das ciências básicas (matemática, física, química e biologia) deverão constituir as primeiras acções a realizar no âmbito do conselho consultivo.

Considerou que, para além dos encontros metodológicos, a melhoria da qualidade do sistema de educação e do ensino impõe estreitar cada vez mais a relação com outros níveis de ensino, de modo a contribuir melhor na formação do homem novo.

Segundo Maria Cândida Teixeira, no domínio da investigação científica e pós-graduação, as acções estarão cada vez mais direccionadas para formação de quadros de nível diferenciado, através de cursos de mestrado e de doutoramento nas instituições de ensino superior e centros de investigação. Acentuou que a aposta nos melhores estudantes com a atribuição de bolsas de estudo para formação no ensino superior com referência a nível internacional também deverá estar no centro das atenções, de modo a aumentar cada vez mais o potencial científico e tecnológico do país. Segundo a ministra, no 1º encontro do conselho consultivo foram apresentadas 17 comunicações e abordados temas no âmbito do ensino superior e da investigação, sendo as conclusões uma prova do interesse e da preocupação da comunidade académica e cientifica e dos departamentos ministeriais.

Para a governante, desta forma pode-se concluir que os objectivos preconizados para esta reunião foram alcançados, tendo o seu lema “ Juntos, pela promoção da qualidade dos serviços, da formação superior e de Investigação cientifica” sido acolhido e assumido pelos participantes.

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Há muito que se discute o verdadeiro valor dos programas de MBA (um curso de gestão intensivo, de um a dois anos, dirigido a alunos licenciados). Para os críticos trata-se de um mero negócio muito lucrativo para as universidades, cujas propinas (que muitas vezes são pagas pelas empresas e não pelos alunos) são muito mais elevadas do que as das licenciaturas. Um dos críticos mais ferozes dos MBA é o canadiano Henry Mintzberg, autor do livro Managers not MBAs (curiosamente Mintzberg fez o MBA do MIT, nos Estados Unidos, leccionou no INSEAD, em França e hoje é professor de Gestão da Universidade McGill, no Canadá).

As críticas do canadiano começam logo na admissão. As melhores universidades exigem notas elevadas no Gmat, um teste de escolha múltipla, que avalia, sobretudo, as capacidades analíticas e quantitativas dos candidatos, assim como o domínio da língua inglesa. E a gestão, como argumenta Mintzberg, exige não só habilidades analíticas, mas também as de natureza emocional (associadas à liderança, gestão de pessoas ou sentido ético). A este propósito Daniel Goleman popularizou os testes de QE (quociente emocional) em detrimento do habitual QI (quociente intelectual).

Uma segunda crítica de Mintzberg é o facto de a maioria dos alunos serem jovens que acabaram de concluir a licenciatura. Ora uma das vantagens do MBA é precisamente o foco prático (os cursos de Harvard e da IESE, em Espanha, por exemplo, centram o programa na discussão de casos reais). Mas se a maioria dos alunos apenas possui conhecimentos teóricos dessa discussão, lembra Mintzberg, é pouco estimulante. A prova que a posse de um grau académico não é garantia de aptidão para os negócios é o facto de grande parte dos homens mais ricos do mundo (ver listagem da Forbes na página 82) não ter sequer um curso superior. Bill Gates, Larry Elison, o britânico Richard Branson, o brasileiro Eike Batista ou o jovem Zuckerberg, do Facebook, não terminaram a licenciatura e, não obstante, tiveram um enorme êxito nos negócios.

Apresentadas as críticas há igualmente inúmeros argumentos favoráveis. O MBA, em particular se realizado nas melhores escolas, é de facto um trampolim para o êxito na carreira. A esmagadora maioria dos gestores de topo das maiores empresas mundiais fez um MBA nas escolas de topo, aquelas onde estão os melhores professores. Nalguns sectores, como as consultoras estratégicas, por exemplo, é obrigatório ter um MBA para ser promovido. Não obstante, há algum consenso que o curso é mais útil quando o candidato já tem alguma experiência profissional (a não ser que os alunos tenham concluído licenciaturas noutras disciplinas, como a Engenharia, por exemplo, e necessitem de formação complementar em Gestão).

Uma das grandes mais-valias do curso é a interacção entre os alunos. Quanto maior a experiência profissional mais rica será a partilha de conhecimentos. Outra tendência em alta é fazer um MBA no estrangeiro (ou, pelo menos, com alunos internacionais). A troca de experiências culturais é outra das características mais valorizada nos cursos. Muitas universidades já oferecem a possibilidade de frequentar parte do ano lectivo noutros países através de acções de intercâmbio com escolas estrangeiras.

Mas quem já tem experiência profissional não precisa necessariamente de fazer um MBA tradicional. Hoje, as universidades oferecem vários cursos de pós-graduação assim como os designados Executive MBA. Estes últimos são cursos que permitem ao aluno trabalhar e estudar, em simultâneo, reservando algumas semanas por ano para acções intensivas de formação (teórica e prática), inclusivamente noutros países. Na Exame já referimos a oferta de cursos para executivos da Angola Business School, da Angola School of Business ou da IFEA. São boas oportunidades de progressão na carreira para quem acredita no ditado popular: “Saber é poder.”


Em Março de 2012, o Campus Universitário da Camama começa a receber os primeiros estudantes, materializando assim um sonho que data desde 2002, altura em que o projecto saiu do papel, um investimento cuja primeira fase custou aos cofres do Estado 190 milhões de dólares.

A ideia de erguer o Campus Universitário, o primeiro do género no país, era o de concentrar a maior par te dos serviços numa só área, o que implica também a racionalização da utilização de recursos, aumentar a taxa de escolarização no ensino superior e mais oportunidades de for mação de quadros em várias áreas fundamentais para o país.

Inaugurada pelo Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, a infraestrutura permite incrementar o número de admissões de alunos, o número de finalistas e melhorar as condições didácticas e pedagógicas, do trabalho do corpo docente e do pessoal administrativo.

O impacto imediato da existência do Campus Universitário será verificado já no próximo ano lectivo, a ter início em Março com a realização dos exames de acesso às referidas instalações, em que se prevê a recepção de pelo menos cinco mil novos estudantes. Agora, com o funcionamento do Campus Universitário, a Universidade Agostinho Neto tem a grande oportunidade de absorver mais estudantes e fazer com que se transforme numa instituição de excelência.

A concentração das diferentes faculdades que compõem a UAN num único espaço vai permitir uma melhor racionalização dos recursos humanos, bem reagrupar todas as faculdades numa única zona geográfica a fim de facilitar a mobilidade dos docentes e dos discentes e investiga dores.

CAPACIDADE INSTALADA AUMENTA

Concebido inicialmente para 17 mil e 500, o Campus Universitário da Camama acabou por ser reformula do nos últimos anos, estando agora previsto para a albergar cerca de 40 mil estudantes, o que também contribuiu para a alteração do tempo de entrega, que acabou por acontecer apenas em Novembro de 2011, com o corte de fita efectuado pelo Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos.

Inicialmente foram priorizadas a construção das faculdades de Informática, Física, Matemática e Química; das redes rodoviárias e técnica (distribuição de energia e água), bem como o sistema de drenagem de águas pluviais.

Nove anos depois, o Campus da Universidade Agostinho Neto, na Camama, é um sonho que se tornou realidade. Apesar de entregue aos seus responsáveis, os trabalhos de construção vão prosseguir até atingir as seis fases previstas.

Em 2007, entrou-se para a segunda fase dos trabalhos que se cingiram na construção das sedes da reitoria e da união dos estudantes, enquanto a terceira arrancou em 2009 e compreendeu a edificação das estruturas de apoio às faculdades, restaurante, complexo residencial, ginásio, laboratórios de ensino e investigação.

A quarta etapa compreende a construção de uma escola secundária para 250 alunos, parque de estacionamento, auditório, museu de geologia, complexo desportivo, centro de conferências e oficina de engenharia.

A edificação do hospital universitário com as especialidades de Urologia, Otorrinolaringologia, Gastro enterologia, Cirurgia, Dermatologia, Ortopedia, Pediatria, Neurologia, Infectologia, Obstetrícia, Fisioterapia, Cardiologia, Ginecologia, Oftalmologia, Psicologia, Psiquiatria, Nutrição e Pneumologia constam da quinta fase da empreitada.

A sexta e última etapa envolve a montagem de equipamentos para escoamento de fumos, implementação de um sistema de protecção dos produtos tóxicos e outros derivados das experiências laboratoriais para alunos e professores; assim como a colocação de um sistema de alarme de incêndios.

O Executivo angolano decidiu, em 2009, erguer outras infraestruturas (campus) a nível das regiões acadé micas, criadas com o surgimento das seis novas universidades públicas.

Na prática, quando se concluírem todas as obras projectadas, o país terá em várias regiões pelo menos sete campus universitários, que permitirão congregar num só espaço as estruturas das diferentes universidades, criadas no âmbito do programa de expansão do ensino superior.

No entanto, dos sete campus previstos, o da Camama, em Luanda, e o do Caio, em Cabinda, desde 2009, adstrita à Universidade 11 de Novembro, são as única universidades que têm estruturas erguidas dignas do nome.

Em Cabinda, a 20 quilómetros da cidade, está em construção o campus para a Universidade 11 de Novembro, confinada na região académica número três, que inclui a província do Zaire.

Naquela região, as obras decorrem a bom ritmo, estando neste momento em fase de conclusão as instalações da reitoria, serviços sociais e biblioteca, cuja entrega está prevista para 2013.

O projecto do campus para a Uni versidade 11 de Novembro está concebido para albergar uma popula ção estudantil na ordem dos 20 mil, numa região com cerca de 500 mil habitantes.


Projectos na gaveta

Os projectos de campus universitá rios concebidos para as universidades Katiavala Buila (Benguela), Kimpa Vita (Uíge), Mandume Ya Ndemufayo (Huíla), Lueji Anconda (Lunda Sul) e José Eduardo dos Santos (Huambo), ainda não saíram do papel, apesar da sua aprovação em 2009.

Neste momento, qualquer uma dessas universidades tem já parcelas de terrenos cedidos pelas autoridades das respectivas províncias onde estão instaladas, estando estas à espera apenas que o Executivo, por intermédio do Ministério do Urbanismo e Construção, dê luz verde para o ar ranque efectivo das obras.

Fonte: O País

Estudar debaixo de uma árvore


O difícil acesso ao sistema de ensino, no Zango II, município de Viana, em Luanda, por parte das crianças cujos pais se mostram incapazes de satisfazer as obrigações das entidades ligadas a escolas ai instaladas, ora por se atrasarem a periodicidade das matrículas, ora por não disporem de dinheiro para garantir a chamada “gasosa”, motivou Lando Ernesto a criar algumas salas de aulas, no chamado bairro Kawelele.

A escola do professor Lando, como é aí conhecida, existe desde 2009, altura em que o fundador se condoeu com a situação de muitas crianças e adolescentes que, não tendo sido inseridos numa escola pública, andavam por aí, optando por brincadeiras e outras actividades, que só resultavam em mais encargos para os pais, ao ponto de estes terem sido submetidos a grandes esforços para resolverem os inúmeros e sucessivos problemas criados por seus filhos.

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Nações Unidas: Angola desce no ranking da educação


A 146ª posição ocupada por Angola no ranking do Relatório do Desenvolvimento Humano (IDH) referente ao ano de 2010, apresentado esta semana pela representação das Nações Unidas no país, está associada ao facto de o sector da educação ter estagnado entre os anos 2000 a 2010 na pontuação 4. 4, de acordo com documentos em posse deste jornal.

No ano passado, Angola esteve na posição 143 entre 182 países, sendo o valor absoluto do seu IDH, segundo a ministra do Planeamento Ana Dias Lourenço, superior ao registado pelo conjunto de países integrados na África subsariana.

A ler em

Cursos legalizados ou não


A ler em O País:

Perante a escassez de instituições de Ensino Superior no país, muitos estudantes com vontade de continuar a vida académica matricularam-se, este ano lectivo, em universidades ainda por legalizar.

A Universidade René Descartes, em Luanda, é uma das instituições que ainda não estão legalizadas, de acordo com uma lista cedida a este Semanário pelo Ministério do Ensino Superior e Ciência e Tecnologia (MESCT).

A instituição, fundada em 2005, no município do Cazenga, tem mil e 320 alunos divididos pelas faculdades de Ciências Judiciais e Humanas, Ciências Económicas, Engenharia  Informática, e possuiu um corpo de docentes constituídos por angolanos e brasileiros.